A triste (será?) saída de Wesley do Palmeiras

Chegou ao fim, nesta sexta feira, 27, o contrato de Wesley com o Palmeiras.

Contratado a peso de ouro após a desastrada tentativa de vaquinha junto ao Werder Bremen em 2012, o atleta tem como destino provável o time colorido, clube que tem como tradição buscar atletas em nosso elenco – e depois quebrar a cara com todos eles.

A passagem de Wesley como jogador do Palmeiras merece uma discussão especial pois envolve diversos fatores que ajudam a explicar o momento não só do clube como do futebol brasileiro nos últimos anos.

Wesley foi revelado pelo Santos Futebol Clube em 2008, mas por conta das más atuações e da impaciência da torcida com seu futebol, foi emprestado para o Atlético Paranaense já em 2009. Após se destacar no time paranaense, retornou ao Santos, onde fez parte do time campeão paulista e da Copa do Brasil junto com Neymar e Robinho, sendo considerado pela imprensa como um dos principais coadjuvantes daquela equipe.

O Palmeiras, por outro lado, vivia a ressaca pela perda do título brasileiro de 2009, com constantes trocas de técnico e fazendo campanha intermediária nos campeonatos que disputava. Tínhamos em Marcos, em vias de se aposentar, a única referência dentro de campo, uma vez que as tentativas de elevar a moral do clube e da torcida com Kleber e Valdívia não surtiram o efeito esperado por todos. A contratação de Felipão como treinador, apesar do título da Copa do Brasil em 2012, não pode ser considerada um sucesso, pelo futebol apresentado e pela mancha deixada no final de sua passagem – que não apaga sua história vitoriosa no PALMEIRAS.

Foi com base nesse cenário totalmente obscuro e sem perspectivas à curto prazo que Arnaldo Tirone decidiu buscar na Europa um jogador novo, que havia se consagrado por aqui pouco tempo antes e que pudesse simbolizar o início de uma nova era no clube. A escolha, então, foi Wesley.

Sem dinheiro para contratar, Tirone optou por um modelo, digamos, pitoresco para viabilizar a contratação do atleta: realizar uma vaquinha. A dificuldade em arrecadar o valor necessário e a repercussão que tal iniciativa causou na torcida e imprensa não só supervalorizaram tecnicamente o jogador, como praticamente obrigaram a Diretoria a encontrar a todo custo um empresário disposto a ajudar na contratação. Caso contrário, eventual fracasso da equipe seria, certamente, porque não trouxemos o Wesley.

Por cerca de 21 milhões de reais desembolsados por um empresário catarinense, Wesley desembarcou na Academia em março de 2012 com status de potencial ídolo. Credenciado pela sua passagem pelo Santos, experiência adquirida no futebol europeu e, pasmem, pela sua convocação para a Seleção Brasileira. O cara chegou chegando.

Entretanto, logo em seu terceiro jogo pelo Palmeiras sofreu uma contusão no joelho, o que fez com que ficasse 7 meses longe dos gramados. Assim, os três anos de serviços a serem prestados ao clube acabaram virando dois, e Wesley ainda passou ileso da fúria da torcida com o rebaixamento no Brasileirão. Restava a ele jogar bem o fraco Paulistão de 2013 e a tranquila Serie B no mesmo ano para conquistar a carente torcida palmeirense.

Apesar do desempenho aceitável em 2013, Wesley não caiu nas graças da torcida. Ofuscado por Alan Kardec e Valdivia, que carregaram o time rumo à Primeira Divisão, esperava-se que 2014 fosse enfim o ano da virada, onde pudesse reviver o futebol apresentado no Santos.

Wesley chegou a erguer o troféu Julinho Botelho após vitória sobre a Fiorentina. Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação
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Wesley chegou a erguer o troféu Julinho Botelho após vitória sobre a Fiorentina. Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras/Divulgação

Ocorreu exatamente o contrário. Extremamente passivo, Wesley levava a torcida à loucura com a sua omissão e falta de comprometimento. Talvez seja o jogador com a melhor média de passes de lado da história do clube – isso por si só já explica muito como foi sua passagem por aqui.  Suas melhores atuações nem foram tão boas assim, nos dando certeza que o interesse do SPFC no atleta surgiu apenas por causa da briga pessoal entre Paulo Nobre e Carlos Miguel Aidar, e não pelo futebol apresentado. Assim sendo, podem levar.

Salvo milagre divino, Wesley entrará para a história por ser mais um a fazer parte do exclusivo clube de atletas que se deram bem graças a Neymar, juntando-se a André e Zé Love – com Paulo Henrique Ganso fazendo de tudo para entrar também no restrito rol. Para um jogador que veio para o clube com status de craque, necessitando fazer muito pouco para agradar uma castigada torcida, e contando com a sorte de estar ausente nos momentos mais críticos da equipe nos últimos anos, foi uma tremenda decepção.

Wesley será um dos símbolos da geração que se deu bem graças a apenas um jogador. Geração essa que conseguiu enganar o mundo inteiro – clubes, jornalistas e torcedores -, escancarando toda a fraqueza e o baixo nível técnico do futebol brasileiro hoje. A geração dos cabelos estilizados, das chuteiras coloridas e da selfie. A geração alegria nas pernas. A geração 7 a 1.

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Autor: MP

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