Palmeiras está desenvolvendo aplicativo mobile

O futebol brasileiro pretende gerar dinheiro com aplicativos mobile e o Palmeiras (só para variar) será pioneiro em funções como compra de ingressos e relacionamento com consumidores

Mais clubes decidiram lançar aplicativos oficiais para smartphone nesta temporada. Até 2014, havia nas lojas online de Google e Apple programas de Corinthians, Cruzeiro, Flamengo, Fluminense, Grêmio e Internacional. A lista cresceu em 2015, com o lançamento do Botafogo em fevereiro, e ainda terá Bahia, Palmeiras e Santos, todos com contratos já assinados e em fase final de desenvolvimento. A adesão de mais times anima o mercado, pois pode solucionar o problema do mobile no futebol brasileiro: aplicativos de equipes, ainda jovens, já têm números razoáveis de downloads e engajamento, mas não geram receita.

 

Hoje o Grêmio possui cerca de 80 mil downloads de seu aplicativo oficial, seguido por 60 mil do Fluminense e 40 mil do Internacional. Todos são parceiros da francesa Netco, empresa que também administra o app do Boca Juniors, este com 200 mil, e que assinou com Botafogo, Bahia, Corinthians, Palmeiras e Santos. O Cruzeiro tem parceria com a empresa mineira Black Marlin em seu programa oficial e com a Netco no Fotofan, ferramenta para personalizar fotos e compartilhá-las em redes sociais. O Corinthians terá um novo aplicativo com a Netco, mas hoje já está no ar com o Almanaque do Timão, uma produção de André Pascowitch e Celso Unzelte. O Flamengo tem parceria com a suíça Wisekey.

 

Essas empresas assumem toda a operação: desenvolvem aplicativos, pagam servidores, produzem conteúdo. Os clubes, por cederem suas marcas, recebem royalties. A receita entra de duas maneiras: (1) anunciantes, que pagam para expor seus produtos e serviços, e (2) torcedores, que não pagam para baixar o programa, mas têm de fazer assinaturas, geralmente anuais e por baixos valores, se quiserem ter acesso a áreas restritas e conteúdos exclusivos. O problema da primeira é que o mercado publicitário ainda tem um pé atrás com mobile no futebol. Não investe. O da segunda é que a conversão de usuários em assinantes rende muito pouco. Tome o Almanaque do Timão como exemplo. A enciclopédia corintiana tem 50 mil usuários, e só 1%, 500 deles, pagam R$ 8 por ano para ter privilégios em pesquisas.

 

– O mercado vem crescendo em relação ao mobile marketing de modo geral, mas ainda é pequeno, mesmo fora do futebol. Estamos criando o hábito no brasileiro, seguindo tendência mundial, mas ainda precisamos quebrar barreiras – diz Pascowitch, responsável pela área comercial do Almanaque do Timão.

A primeira solução é óbvia. Mais gente. Por isso novas parcerias com Botafogo, Bahia, Corinthians, Palmeiras e Santos empolgam a Netco. Mais clubes levam a mais público, e isso ajuda a negociar anúncios e a converter usuários em assinantes. No caso do Corinthians, em específico, os franceses têm parceria engatilhada com o Almanaque do Timão, para agregá-lo em sua plataforma e para conversar com a base de usuários que Pascowitch e Unzelte já conquistaram, portanto o novo aplicativo corintiano, da Netco, não começará do zero.

A segunda é mais complexa. Agregar, nesses aplicativos, serviços ao torcedor. O Palmeiras deverá ser o piloto da Netco para experimentar alguns deles. Um é vender ingressos e fazer com que o celular substitua o papel na catraca do estádio. Outro é comercializar planos para sócios-torcedores e abrir novo canal de relacionamento com eles. Ainda há a possibilidade de implementar o uso do beacon no futebol brasileiro. Trata-se de um pequeno hardware que é instalado em pontos de venda – lojas oficiais do Palmeiras, por exemplo. Ele rastreia o sinal dos smartphones que estão por perto. Se um palmeirense com bluetooth ativado e aplicativo instalado passar próximo a uma loja, digamos, a dez metros, este beacon envia notificação ao celular dele e o avisa que tal camisa tem 10% de desconto. Esses serviços dependem de acordos com outras empresas terceirizadas, as que já têm relação com ingressos, sócios e lojas do Palmeiras, mas a Netco acredita que os fará funcionar já em 2015.

– São estratégias para aumentar a audiência e melhorar a experiência do torcedor – explica Karina Tavares, diretora comercial da Netco que trabalha em Paris, na França, por telefone ao blog. A executiva, inclusive, por estar distante do território brasileiro na maior parte do tempo, irá contratar um profissional de vendas que ficará no Brasil para negociar anúncios com o mercado publicitário.

O Brasil representa um mercado com grande potencial para mobile, mas com peculiaridades que dificultam o negócio. Por um lado, há 280 milhões de celulares no país, segundo dados da Anatel de dezembro de 2014. Há mais aparelhos do que pessoas. Por outro, o brasileiro não gasta tanto quanto europeus e americanos em aplicativos. É uma questão de hábito. Para piorar para o lado das empresas que trabalham neste segmento, clubes brasileiros tampouco têm interesse em pagar para ter seus aplicativos oficiais. Eles querem apenas licenciar suas marcas e ganhar dinheiro. É diferente de um país como a França, onde Paris Saint-Germain e Monaco, ambos pertencentes a milionários e ambos clientes da Netco, pagam para que a empresa francesa faça seus programas para smartphones. Lá há mais essa fonte de receita.

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Autor: MP

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