Será que esse clássico não vale nada mesmo?

A declaração de Oswaldo de Oliveira após a vitória diante do São Bernardo caiu como uma bomba pra alguns torcedores. E como um prato cheio pra esfomeada imprensa brasileira. Nada como uma polêmica pra apimentar a semana do clássico, que já está bem apimentado nos bastidores há pelo menos um ano, com declarações do lunático Aidar e com as disputas de jogadores e patrocínios entre os cartolas, não? Tudo que queriam pra um time que vem de bons resultados sequenciais (com uma derrota fora de casa no meio), mas que dos últimos dez clássicos empatou dois e perdeu oito.

Se analisarmos friamente, nosso técnico até que tem razão. Um jogo em casa que vale três pontos para os dois times, que já estão muito bem encaminhados em seus respectivos grupos – o Palmeiras inclusive já matematicamente classificado – e que para o perdedor não mudará em nada na classificação da 1a fase desse longo e cansativo Campeonato Paulista. Ainda mais pra um time em formação, essa tensão toda em torno do clássico, com consequente pressão, pode atrapalhar. E ele está errado? Não.

Porém, Sr. Oswaldo, a coisa não é tão simples assim. Aliás, por ser o único técnico do Brasil que já treinou os quatro grandes do Rio de Janeiro e os quatro grandes de São Paulo, o senhor deveria saber disso melhor do que ninguém. Clássico regional é um campeonato a parte e NUNCA pode ser ignorado. Outra coisa que também não pode ser esquecida é nossa história recente em clássicos quando comparada a nossa história centenária. E ela precisa ser mudada. Ou melhor, mantida.

Alex chapéu Rogério Ceni (1)
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Alex e o Palmeiras humilhou Rogério Ceni e o time do outro lado do muro no Paulista de 2002.

Palmeiras vs São Paulo tem muita história. Muito mais do que imaginamos. Não foi a toa que Oberdan Cattani avisou: “O Corinthians é rival, o São Paulo é inimigo”. E desde então, ganhar do time do outro lado do muro é obrigação e questão de honra. E por isso, em nenhuma situação este jogo se torna “mais um”. Este em especial, que acontecerá 5 dias após o aniversário do gol mais bonito da história do Choque-Rei, protagonizado por Alex em um 20/03/2002 calando o Morumbi. Não pode ser considerado um jogo qualquer…

Daremos ainda mais um motivo: no último 29 de abril o Sr. Carlos Miguel Aidar disse que o maior campeão nacional se apequenou. Declaração fruto de provocações e de uma briga nos bastidores entre as duas entidades que naquela oportunidade, foi ganha pelo lado de lá. Dar a oportunidade do time deste arrogante e péssimo gestor ganhar o primeiro Choque-Rei em nosso novo estádio torna esta partida mais uma mesmo? O Palmeiras já mostrou, com chapéu atrás de chapéu nos bastidores, que é o maior do Brasil. Agora temos a obrigação de cravar isso no campo. Portanto, este jogo não é mais um!

Querido Oswaldo, sei e entendo que o senhor quer tirar a pressão de um jovem elenco em formação, que perdeu todos os clássicos deste ano e não ganha há 10 jogos regionais, mas não pode falar nunca que é mais um. Serei chato e repetitivo: Clássico é um campeonato a parte. O resultado de quarta-feira mudará a moral do time para o resto do campeonato, seja para o Palmeiras ou para o time de tantas cores. Uma derrota pode ser desastrosa pra paciência da torcida e confiança dos jogadores. Uma vitória, por outro lado, pode mostrar para o nosso atual time: “opa, a gente pode sim!”, resgatando a moral elevadíssima que estava um pouco tímida diante dos momentos vividos nos últimos anos, além de afundar o vizinho do muro colorido em crise uma semana antes de um jogo decisivo na Libertadores. Portanto, entendo sua precaução, mas pilhe seu time e ganhe este jogo!

 

Victor Jordão

Canal do Palmeiras

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Autor: MP

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