Valdívia: problema ou solução?

Uma das frases mais utilizadas pela população quando se tenta prever, por exemplo, o resultado de uma investigação de corrupção, a expressão “terminar em pizza” surgiu, para quem não sabe, dentro da Sociedade Esportiva Palmeiras. Fundado pela colônia de italianos que veio morar no Brasil, o clube sempre foi famoso pelas acaloradas discussões sobre o desempenho do time de futebol, que, invariavelmente, terminavam nas pizzarias da cidade de São Paulo. Daí, então, o nascimento do termo.

O palmeirense, como não podia deixar de ser, ama polêmicas. Nosso poder de alimentar durante horas, dias, meses e anos um determinado assunto é de causar inveja em qualquer torcedor de qualquer clube. O torcedor palmeirense tem verdadeira tara pelo debate, por expor seu ponto de vista, por discordar da outra parte, e tudo isso pode ser comprovado pelos inúmeros sites, blogs e comunidades de palmeirenses na internet. Todo mundo quer dar a sua opinião, e passar horas discutindo sobre ela.

 

Entretanto, na história recente do clube nenhum outro assunto fez o torcedor gastar tanta saliva ou ficar tanto tempo na frente de um computador do que Valdívia. Valdívia causa polêmica quando joga, quando não joga, quando se machuca, quando é sequestrado, quando está em casa, quando está na balada, quando corta o cabelo, quando faz o bigode. Todos os movimentos do chileno são debatidos efusivamente pelos torcedores.

 

O tema do momento é sobre a renovação de contrato do jogador, que se encerra no meio do ano e, claro, há aqueles que defendam a renovação ad eternum do chileno, como aqueles que, se pudessem, proibiriam a entrada dele na Academia amanhã mesmo. Valdívia desperta amor e ódio entre a torcida.

 

Neste post vamos tentar fazer um balanço geral do jogador no clube, e buscar uma solução para o resto da sua carreira, seja no Palmeiras ou em outro lugar. O texto será longo, mas a ideia é abordar todos os aspectos possíveis para encerrar de vez a discussão.

 

Inicialmente, é necessário separar o Valdívia “jogador de futebol” (leia-se, dentro de campo), e o Valdívia além das quatro linhas.

 

Valdívia é um gênio da bola. Certamente um dos melhores jogadores que já passou pelo clube, e, talvez um dos top 5 meias que tivemos em toda nossa história. Possui como características o excelente domínio de bola e a qualidade no passe, sendo o jogador – sem exagero algum – com a melhor noção espacial dentre todos aqueles que já pisaram em um gramado de futebol. É impressionante como suas enfiadas de bola são milimétricas e na velocidade perfeita, calculadas de forma exímia tanto para que o defensor não alcance-a ao tentar desarmar, como para que o companheiro de equipe receba com totais condições de finalizar ou realizar o cruzamento. É realmente assustador esse dom do chileno.

 

Não obstante, Valdívia quando joga não foge do pau. Sempre que está dentro de campo chama para si a responsabilidade, provoca o adversário, cria situações de gols, cava faltas, e se dedica pelo time. Valdívia não se omite. Suas condições físicas, conforme falaremos mais para frente, não permitem que seu desempenho seja ainda mais potencializado, e o efeito acaba sendo o contrário: por se lesionar facilmente, é chamado por alguns como pipoqueiro ou amarelão. Mas, analisando friamente, é fato que Valdívia é sempre protagonista quando joga – mesmo com um time que, frise-se, em raros momentos enfrentou nossos rivais de igual para igual. O cara dava a cara a bater mesmo com enormes chances de ser espancado.

Gol do Mago no Paulista de 2014.
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Gol do Mago no Paulista de 2014.

 

Por fim, um jogador de futebol pode ser ídolo de várias formas: se dedicar dentro de campo, marcar um gol importante na história do clube ou jogar durante anos em uma mesma equipe e criar uma identidade com o torcedor. Valdívia, apesar de cumprir esses três requisitos, ocupa a condição de ídolo em boa parte da torcida por, simplesmente, ser uma representação dela dentro de campo. Se o torcedor palmeirense sempre sonhou em fazer um gol contra eles e sair zuando, Valdívia já fez isso. Se o torcedor sonhava em levantar troféus pelo clube, Valdívia também já fez. E se o torcedor sonhava em fazer um gol contra elas e mandar a Maior-Mentira-Do-Futebol-Brasileiro calar a boca, Valdívia também já fez. Valdívia realizou todos os sonhos do torcedor palmeirense – e ainda jogou com Marcos.

 

Por outro lado, da mesma forma que acumula qualidades, o chileno soma problemas. Valdívia recebe um dos maiores, se não o maior salário do time – cerca de R$ 400 mil mensais. Isso não seria um fator tão negativo assim se pelo menos entrasse em campo a maior parte dos jogos, mas não é o que se tem visto. Só nesse ano, por exemplo, já estamos em Março e sequer começou a treinar com o elenco. Seu custo-benefício é pífio, chegando a ser motivo de chacota entre os rivais e a mídia especializada.

 

Valdívia se machuca muito fácil, e a veracidade de suas lesões sempre levantam suspeitas no torcedor. Se outros jogadores demoram no máximo um mês para retornarem de uma lesão muscular, Valdívia chega a ficar de três a quatro meses de molho. Quantos não foram os clássicos que Valdívia abandonou a equipe por lesão? Quantos não foram os jogos importantes que tivemos que escalar Sleep Menezes, Daniel Carvalho e outros pseudo-jogadores para suprirem a ausência do chileno? Quantos foram os pontos perdidos e os momentos de sufoco que passamos por conta da cuexa do Mago? Coloque nessa conta o rebaixamento de 2012 e o quase descenso em 2014. Definitivamente, não é pouco.

 

Se já não bastasse a alta incidência de lesões, Valdívia quando joga também preocupa o torcedor acerca do seu comportamento. De temperamento explosivo e por vezes inconsequente, é alvo fácil da arbitragem no que diz respeito à aplicação de cartões amarelos e vermelhos, tendo desfalcado outras inúmeras vezes o time por conta da sua irresponsabilidade e falta de noção. Não satisfeito, usa e abusa da boa vontade da torcida com postagens polêmicas nas redes sociais, manda indiretas para a Diretoria e não raramente é visto (e, pior, se faz ser visto!) em baladas e festas quando poderia estar muito bem quietinho em casa tratando de suas lesões. Valdívia, por várias vezes, se posiciona acima de tudo e todos, e isso, obviamente, não é bom.

 

Seu contrato está perto do fim, e o jogador pode assinar um pré contrato com outro clube – boatos que o Flamengo, pra variar, estaria interessado no atleta. Notícias de bastidores informam que essa especulação, na verdade, é uma tentativa do chileno e de seu pai de pressionar o clube a renovar o contrato logo, com os valores que desejam, para não correr o risco de perdê-lo para outra equipe.

 

Acontece que esse ano, ao contrário dos últimos quatro que ele está aqui, nós não somos mais dependentes do chileno. As contratações esse ano para o meio de campo foram bem feitas e estão correspondendo – principalmente Robinho. Alan Patrick pode ser uma boa opção para o decorrer da temporada, e ainda temos CX10 para começar a jogar. Curioso, porém, que basta o time perder para que imediatamente as atenções se virem para Valdívia – e nesse caso, positivas, exigindo a permanência do Mago porque sem ele somos um time comum. A abstinência do palmeirense com relação à Valdívia nos momentos de baixa é algo que certamente deveria ser estudado.

 

Nessa linha, a conclusão mais lógica que podemos chegar é a seguinte:

Primeiro, que as lesões de Valdívia não vão deixar de existir, ele ficando no Palmeiras ou não. Seu comportamento também não irá modificar, já que estamos falando de um jogador com quase 32 anos, experiente, com as ideias já amadurecidas e que dificilmente adotará outra postura em sua carreira. Dessa forma, a medida a ser aplicada de imediato é a proposta de diminuição do seu salário. Além do restante do elenco receber por produtividade – e logicamente isso tem que ser aplicado a ele também -, fato é que o jogador não faz mais jus ao recebimento de R$ 400 mil por mês. O novo acordo deverá girar em torno de, no máximo, R$ 200 mil, mais a tal da produtividade. O tempo de contrato não interessa tanto, já que provavelmente será seu último contrato da carreira e dificilmente surgirá uma proposta tentadora de venda que nos obrigue a renovar por mais de 2 anos visando um potencial lucro em uma futura transferência. Assim, um, dois ou três anos de acordo para um jogador com a qualidade dele e a idade que já tem não fariam tanta diferença assim.

 

Muito provavelmente teremos um acerto final apenas nos últimos dias de seu contrato. Além de haver a Copa América no meio do ano – e provavelmente ele será convocado – tudo dependerá das suas condições e do seu desempenho nesta época. Se estiver jogando bem e em forma, poderá pleitear um ordenamento nos moldes do atual, sob a justificativa de que caso o Palmeiras não aceite, com certeza outro pagará. Agora se estiver machucado, não terá moral para exigir grande coisa, ficando na mão do clube e tendo que aceitar os valores que vamos oferecer, caso contrário terá que buscar algum negócio na China ou no mundo árabe – já que aqui não parece possuir grande mercado por conta a situação financeira dos clubes.

 

Dado o cenário atual, principalmente da realidade financeira das equipes brasileiras e do elenco formado para 2015, a bola está muito mais com Paulo Nobre do que com Valdívia. Ou ele aceita as nossas condições e encerra a carreira aqui, podendo ser campeão brasileiro e, porque não, da América e do Mundo em 2016, ou que vá ser feliz em outro lugar – sem antes agradecermos por tudo que fez por nós no tempo que ficou aqui.

Aguardaremos os próximos capítulos.

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Autor: MP

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