Para sempre Turiassu

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Rua Turiassú x Rua Caraíbas em frente ao Estádio Palestra Itália.

Nasci em 1988. Sou dos anos 80, vim ao mundo durante o nosso período de seca, que se iniciou após o Paulistão de 1976 e só terminou com o título em 1993. Entretanto, minhas memórias mais antigas com relação ao Palmeiras – e à vida – já são com faixas de campeão e pôsteres espalhados pelo quarto.

 

Filho de pai são paulino e mãe palmeirense, foi meu tio Roberto (ou Vovô Bebeto, como o chamo desde que nasci) quem me apresentou ao Palmeiras. Lembro que sempre me convidava para ir ao estádio, mas por algum motivo que até hoje desconheço (e que queria muito descobrir) rejeitava seus convites. Talvez por vergonha (?), por preferir fazer outra coisa, sei lá. Sei que demorei algum tempo para amadurecer a ideia de ir ver o Palmeiras pela primeira vez no campo, como o próprio Vovô diz.

 

Até que um dia, em 1994 ou 1995, aceitei o seu convite e fomos ao Parque Antárctica. Eu, ele, e o Gui, naquela época namorado da Ro, filha do Vovô, e hoje pai de três dos seus sete netos. Não lembro onde paramos o carro, mas se conheço bem os dois, deve ter sido bem pertinho da entrada da Turiassu, uma vez que sempre frequentamos a numerada coberta do Palestra e a caminhada do carro ao estádio não fazia doer as pernas daquele menino de 5 ou 6 anos.

 

Tanto o Gui quanto o Vovô – e às vezes o Ri, filho mais novo do Vovô – tinham por costume estacionar o carro o mais perto possível do estádio. Se não era na própria Turiassu, em um local que ainda hoje tem “cara” de estacionamento, mas, ao que parece, está desativado, era em um estacionamento na Rua Diana, ou na porta do consultório do Dr. Victor Fruges, amigo do Vovô e hoje um dos Vice Presidentes do Palmeiras.

 

Tal costume de deixarmos o carro sempre a um ou dois quarteirões do estádio fez com a minha memória registrasse muito bem tudo aquilo que se passava nos arredores do Palestra Italia. Não havia um jogo sequer, por exemplo, que eu  deixasse de tropeçar nas calçadas e raízes de árvores da Caraíbas, ou mesmo que o Vovô fizesse sempre a mesma brincadeira do vai um lanche aí? quando passávamos por uma barraca de pernil.

 

E toda vez que caminhávamos em direção ao jogo eu olhava a placa escrito “Rua Turiassu” quando parávamos na esquina para atravessar a rua. Achava engraçado o nome da rua. Não era uma rua com nome de pessoa ou de cidade como estava acostumado a ver no dia dia. Era Turiassu. Sei lá o que significava Turiassu, mas era a rua do Palmeiras e isso já bastava.

 

Era na Turiassu, também, que se localizava o único Texaco (pra mim) da cidade. O Texaco ficava onde hoje é Ipiranga, em frente à Papa Genovese, do lado do Bar do Elias. O Bar do Elias, para quem não sabe ou não se recorda, era um bar que ficava quase em frente ao Parque Antárctica, que teve Luxemburgo como um dos sócios, e o estabelecimento responsável por me ensinar o significado da palavra “reduto”. O Bar do Elias era um reduto de palmeirenses. A Papa Genovese, por sua vez, era uma pizzaria que ficava na esquina da Turiassu com a Cayowaá, e que reunia todos os tipos de palmeirenses antes e depois dos jogos.

 

A partir do meu primeiro jogo, então, era sempre a mesma coisa. Turiassu, Texaco, Papa Genovese, Bar do Elias e parque Antárctica. Turiassu, Texaco, Papa Genovese, Bar do Elias e Parque Antárctica. Turiassu, Texaco, Papa Genovese, Bar do Elias e Parque Antártica. E assim por diante.

 

Os tempos foram passando, e esses locais, até então eternos na minha cabeça, foram sumindo. O Bar do Elias hoje é um restaurante italiano. O Texaco, conforme disse antes, continua sendo um posto de gasolina mas com outra bandeira. A Papa Genovese se transformou em uma loja de móveis, e o nosso estádio foi batizado de Allianz Parque. Quem diria, entretanto, que um dia chegaria a vez da Turiassu.

 

Essa semana a Câmara de Vereadores da Cidade de São Paulo aprovou a mudança do nome da Rua Turiassu para Rua Palestra Italia. Assim sendo, a partir de agora, oficialmente, o novo endereço do Palmeiras é Rua Palestra Italia, não mais Rua Turiassu como aprendi desde pequeno.

 

Tal mudança, entretanto, não impedirá que eu ou todos aqueles que nasceram na minha geração ou antes dela se refiram à rua do Palmeiras como Rua Turiassu. Assim como o passar do tempo não fez com que eu deixasse de me referir ao posto como Texaco, à loja da esquina como Papa Genovese, ao novo restaurante como Bar do Elias ou à nossa casa como Parque Antárctica.

 

Nada contra Rua Palestra Italia, pelo contrário, trata-se de uma homenagem bonita, justa e merecida. Mas da mesma forma que aprendi a amar este clube que sempre foi localizado na Rua Turiassu, vou deixar para o Henrique, neto do Vovô e filho do Gui, a passar a amar o Palmeiras como aquele que fica na Rua Palestra Italia, perto do Ipiranga, em frente à Todeschini, ao lado da Montecatini e que joga no Allianz Parque.

 

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Autor: MP

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