Por uma nova história

O palmeirense é um privilegiado. Em 100 anos de história pôde comemorar a conquista de grandes e inesquecíveis títulos, presenciar a formação de verdadeiros esquadrões, e vibrar com infinitos craques de nível internacional que encantaram milhões de torcedores no Brasil e no Mundo.

Poucos são os clubes que durante a sua existência se mantiveram entre os maiores em grande parte do seu tempo – não é exagero dizer que, provavelmente, somos os únicos a ostentar grandes equipes por um longo período.

 

Com exceção da década de 80 e seus 17 anos de seca entre 1976 e 1993 e, talvez, o período iniciado em 2001 e que perdura até os dias atuais (salvo os lampejos ocorridos em 2008 e 2012), não ficamos mais de dois ou três anos sem brindar nossa galeria de troféus com novas taças. Temos conquistas expressivas dos anos 40 aos anos 70 e, obviamente, nos anos 90 – isso sem falar nos 3 paulistas dos anos 20 e quatro nos anos 30.

 

Ao contrário dos nossos rivais, que, seguindo caminho inverso, tiveram tempos vitoriosos durante uma sequência de anos e angariava um troféu aqui ou acolá de vez em quando. O Santos, por exemplo, foi o time da moda nos anos 60 e agora no período Robinho/Neymar. Já o SPFC só passou a chamar atenção no comecinho da década de 90 e na década passada foi o time a ser batido. Por fim, Eles praticamente iniciaram sua história a partir de 1990 – e se alegam que o “Paulistinha não vale nada”, podemos dizer que é o clube com a maior fila de todos os tempos: de 1910 a 1990, ou OITENTA anos na seca.

 

Não à toa, o Palmeiras é o único time no Brasil que consegue organizar essas peladas entre ex-jogadores e receber um ótimo público nesse tipo de evento, de todas as gerações. Milhares compareceram ao Allianz Parque há poucas semanas para se despedir de Alex, um dos maiores meias que vestiram nossa camisa 10. Enquanto o avô foi para ver Ademir da Guia, o pai compareceu para homenagear Evair e Edmundo, ao mesmo tempo que o neto se deliciava com as arrancadas de Euller e com a dupla Oséas e Paulo Nunes. Somos realmente diferenciados nesse sentido.

 

Mas todo esse saudosismo, quem diria, tem sua faceta negativa. O fato de o telão do Allianz Parque transmitir sempre as mesmas defesas de Marcos nas Libertadores e os gols de Evair mostram que alguma coisa está errada. A própria música da nossa maior organizada exaltando uma conquista – importante e inesquecível, sem dúvida – ocorrida há 22 anos atrás comprovam que precisamos produzir novas memórias para serem exaltadas daqui alguns anos.

 

É o início para novos tempos vitoriosos na história da Sociedade Esportiva Palmeiras começará a ser escrito nesse domingo. É imensurável a importância desse Derby para o torcedor palmeirense, e cada jogador que nos representar nesta partida tem que estar ciente disso. É, até o momento, o clássico mais importante da década.

 

Pela primeira vez em muitos anos temos um clube estruturado, uma Diretoria que pensa grande, e um elenco confiável com jogadores de alto nível que já foram campeões e não se contentam em entrar nos campeonatos apenas para serem coadjuvantes. Nossa postura no domingo será o marco inicial de uma jornada que culminará não só com o título brasileiro de 2015 e no bi da América e do Mundo em 2016, como na produção de novos momentos a serem transmitidos no telão daqui 10 ou 15 anos.

 

O contexto dessa decisão não poderia ser outro. O SCCP vive uma fase espetacular nos últimos anos. Conquistaram tudo que poderiam conquistar, e estão há quase 30 jogos sem perder dentro de casa. A história, entretanto, já provou que se existe um clube capaz de interromper qualquer hegemonia deles, esse clube é o Palmeiras – basta ter um time minimamente decente.

Torcida palmeirense eno Derby em Itaquera.
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Torcida palmeirense no Derby em Itaquera no Brasileiro de 2014.

Domingo será o dia em que se iniciará um novo período de amor entre o palmeirense e o Palmeiras. Será o dia em que os apelidos jocosos como “time de segunda” e “Guarani da Capital” começarão a ser esquecidos e a fazer companhia a outras piadinhas que não se aplicam mais aos tempos atuais. Será o dia em que uma nova história será escrita. Podem acreditar.

 

Iremos para Itaquera não para ver um jogo, mas para buscar aquilo que é nosso e que está perdido há 14 anos. Iremos para buscar o nosso orgulho, nossa honra, nossa dignidade. Quem viver, verá.

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Autor: MP

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