A diferença entre estilo e competência

Há um mês e 15 dias o Palmeiras demitia Oswaldo de Oliveira. Uma semana depois anunciaram oficialmente (pois o acerto já havia ocorrido bem antes) o novo técnico: o atual bicampeão brasileiro Marcelo Oliveira. Obviamente, como qualquer situação que envolva o maior campeão nacional, as opiniões foram muito divididas: uns não queriam de forma alguma a saída de Oswaldo. Outros queriam, mas achavam que Marcelo não era o nome correto. Outros, concordavam 100% com a postura da diretoria que hoje nos representa.

Marcelo e Oswaldo de Oliveira, esquemas parecidos, mas execução diferente. (Cruzeiro/Divulgação)
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Marcelo e Oswaldo de Oliveira, esquemas parecidos, mas execução diferente. (Cruzeiro/Divulgação)

Não querendo entrar no mérito do que seria ou não melhor para o Palmeiras ou quem estava certo ou errado, uma coisa é verdade: a maioria da torcida ficou apreensiva. Isso pelo simples fato de Marcelo Oliveira em sua chegada avisar que jogaria no 4-2-3-1, o mesmo esquema que Oswaldo jogava, visto que era seu estilo preferido e assim foi bicampeão nacional. E a maioria pensou: “pronto, trocaremos 6 por meia dúzia, afinal tiramos o Oswaldo justamente por ele não trocar o esquema nunca! Ainda mais perdendo o primeiro jogo para o Grêmio com essa formação!”. Mas não foi isso que aconteceu. E aí está a grande diferença: estilo de jogo é completamente diferente de competência.

Não querendo desmerecer o bom treinador que é Oswaldo de Oliveira, mas faltava alguma coisa. Diante de resultados adversos ou empate, o time nunca voltava com postura diferente do intervalo. O esquema era aquele sempre, mas engessado, jogadores não saiam de suas posições. O ânimo da equipe não contagiava ninguém! E com isso que Oswaldo conseguiu 15 vitórias, 7 empates (um deles no Estádio Público de Itaquera, nos dando a vaga ás finais do paulista) e 7 derrotas, rendendo-lhe um aproveitamento de 59,77%, sendo no Brasileiro apenas uma vitória, 3 empates e 2 derrotas (aproveitamento de 33,3%). Eram 6 pontos em 6 jogos! Inaceitável pra um time que era cotado por muitos jornalistas a brigar pela ponta da tabela

Marcelo Oliveira, apesar de iniciar com derrota, já completou um mês de invencibilidade na equipe do Palmeiras. Perdeu uma e depois não soube mais o que é derrota. Foram 8 jogos, sendo 6 vitórias (uma delas pela Copa do Brasil), um empate e uma derrota. Senhores, estamos falando de mais de 79% de aproveitamento… é muita coisa!

É óbvio que toda troca de técnico motiva um time e também confunde o adversário nos primeiros jogos, mas Marcelo Oliveira tem muito mérito no que está acontecendo. Ele tem a competência que faltou a Oswaldo de Oliveira em sua passagem pelo Palmeiras (não que ele não tenha). Com ele, time ruim no primeiro tempo significa substituição. Com ele, a postura após o intervalo é outra. Com ele, o time é extremamente ofensivo e, com o principal de tudo, no ataque, uma objetividade absurda. Com ele o time sem a bola marca muito e muito bem, de maneira inteligente, sem permitir espaços. Com ele nosso principal jogador, que estava muito apagado com Oswaldo, se achou (ou ele achou um jeito pra Dudu) e passou a jogar bem e ser imprescindível. Com ele nos tornamos a melhor zaga do campeonato, transformando a contestada dupla Victor Ramos e Vitor Hugo em maioria de aceitação na torcida. Com ele objetivos foram traçados e devem ser cumpridos, dentro do limite da adaptação que o técnico e o próprio Palmeiras vivem. Com ele deslizes não são normais de um período de transição, e sim cobrados. Com ele, o Palmeiras sempre precisa melhorar, mesmo após os 4×0 em cima do São Paulo. A visão com ele é lá na frente. E o fato dele propor tudo isso e conseguir executar (pelo menos até agora) o torna extremamente competente, o que o diferencia de Oswaldo de Oliveira, mesmo usando o mesmíssimo 4-2-3-1.

Agora sim temos um time com cara de campeão. Agora é correr atrás dos pontos perdidos e sempre acreditar, sem perder o foco. A Oswaldo de Oliveira, ficam aqui meus sinceros agradecimentos por humilhar São Paulo e Gambás (em pleno Estádio Público de Itaquera) além de ajudar a montar este excelente elenco, entrosá-lo e indicar jogadores como Lucas, Rafael Marques e Gabriel. Quando o Palmeiras começar a colher bons frutos pode ter certeza que lembrarei de você e lhe darei estes créditos.

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Autor: MP

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