A confusa questão da precificação de ingressos

Diego Garcia Barboza (@diegogarbar)
Redação Mídia Palmeirense

Por conta de dois shows que acontecerão no Allianz Parque durante o mês de setembro, por força de contrato, o Palmeiras teve de procurar outro local para sediar os seus jogos, e nada mais natural e óbvio, do que essa escolha ser o Estádio do Pacaembu. Além de ser o maior vencedor de títulos na cancha municipal (25 ao todo) e de ter inaugurado o Estádio em 1940 (quando ainda era Palestra Itália) em partida contra o Coritiba, com vitória por 6×2; enquanto o antigo Estádio Palestra Itália era reformado o local voltou a ser utilizado pela Sociedade Esportiva Palmeiras como o seu campo.

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O programa de Sócio-torcedor Avanti, como conhecemos hoje, foi reformulado e adaptado ao Estádio do Pacaembu em 2013, na Série B, quando a maioria dos planos e preços passaram a entrar em vigor. Naquele momento, o plano ainda não possuía a dimensão de hoje e demorou um bom tempo para que a torcida o abraçasse, principalmente pela questão dos preços. Os planos mais básicos (hoje Prata e Ouro) custavam ao torcedor R$19,99 e R$69,99 respectivamente, e ofereciam 50% e 100% de desconto nas arquibancadas amarela/verde, que aumentaram de valor e passaram a custar R$60,00 em qualquer jogo da . O aumento do preço do ingresso forçou a torcida que frequentava o estádio com frequência a aderir ao programa e por um preço que pode ser considerado justo (valor pouco superior a um ingresso de um jogo por mês) teria o direito de frequentar todas as partidas do Verdão.

Com essa elevação de preços, pagar os ingressos sem os descontos do Avanti ficou caro, a solução para o torcedor frequente foi se tornar um sócio do futebol. Depois de críticas no primeiro momento, o palmeirense percebeu que essa mudança poderia ser benéfica, com a facilidade de compra e média de preços acessível para quem já costumava ir aos jogos. O clube deixou claro que não recuaria em termos de preços e após um (bom) tempo o programa começou a render frutos e ganhar corpo, com o aumento do número de associados. Principalmente quando o rating foi implementado e passou a privilegiar os torcedores mais assíduos na hora das vendas

Com a iminente inauguração do Allianz Parque, o programa, que já mostrava sua força com um dos maiores do Brasil, decolou. O aumento no número de sócios disparou e logo no começo de 2015 já tinha assumido as primeiras colocações no programa Por Um Futebol Melhor (que faz a medição de todos os programas). Estávamos a ponto de assumir a 1ª colocação, quando, após a derrota na final do Campeonato Paulista, o anúncio do reajuste nos preços de todos os planos aconteceu, afetando principalmente as categorias Prata e Ouro (duas das mais populares). O ingresso mais barato no Allianz Parque, é cobrado no gol Norte (R$80,00), então o preço de R$69,99 do Plano Ouro era considerado incompatível com a nova realidade da Arena. As mensalidades reajustadas passaram a custar R$29,90 no Prata e R$109,99 no Ouro, um aumento bem significativo.

Após o choque no torcedor, queda do número de adimplentes e o protesto das torcidas organizadas do Palmeiras durante as primeiras rodadas do Brasileiro, o programa voltou a respirar bons ares com a melhora do time e conseguiu retomar a sua trajetória de aumento. Afinal, como novamente não houve diálogo, não restou alternativa ao torcedor assíduo, a não ser acatar esses novos valores.

Com a volta ao Pacaembu após quase um ano, havia apreensão para saber o que esse retorno significaria para o torcedor, em relação aos preços e locais no estádio e, como esperado,  mudanças aconteceram. Se no ano passado pagava-se a mensalidade de R$69,99 para ter o direito de assistir a todos os jogos da equipe nas arquibancadas Amarela/Verde, hoje, o mesmo Plano Ouro reajustado para R$109,99 (com aumento de mais de 60%) dá direito ao torcedor assistir ao jogo no Tobogã do Pacaembu. Caso ele queira retornar as arquibancadas, como sempre fez a torcida local, ele deve desembolsar mais R$22,00.

Gostaríamos de uma explicação, por que, pagando mais, o torcedor será deslocado para um setor muito pior, que no ano passado tinha o valor de no máximo R$40,00?

O Palmeiras de maneira simplista transferiu os preços praticados nos setores do Allianz Parque para o Estádio do Pacaembu, como se estes fossem equivalentes em suas características (conforto, acústica, iluminação, cobertura, chegada e etc). Se a justificativa para o aumento de mensalidade em 2015, foi exatamente a mudança de ares, para uma Arena padrão FIFA, por que agora que retornamos ao cimento do Pacaembu, o caminho inverso não foi adotado? Isso não precisaria ser feito pela diminuição de mensalidade, mas com a manutenção de direitos, do que já vinha sido praticado no passado. O torcedor vem ajudando mensalmente e esteve ao lado do time durante o ano todo, com recordes de presença e arrecadação, arcou com os valores do programa, mesmo com a crise econômica que o país enfrenta. Parece justo que ele seja novamente lesado, por conta de um acordo contratual entre Palmeiras e WTorre? Será que sempre essa corrente estourará para o lado mais fraco? As organizadas do Palmeiras já anunciaram novo protesto silencioso, cantaram novamente apenas o hino do clube no início da partida.

O diálogo deveria ser a melhor saída para entender o que o torcedor pensa, mas o que vemos são medidas tomadas na apenas por imposição. Desse modo PERDEM TODOS: Sociedade Esportiva Palmeiras, time e torcida. Já passou da hora desse conflito ser resolvido e o tiro no pé não poderia ser em hora pior, pois a torcida perde muita força e o time um alicerce importante, em um momento delicado, contra um adversário direto e forte no campeonato, que é o Grêmio. Já vimos essa situação no começo do ano e o quanto isso atrapalha o time em campo.

Jogar fora de casa em certos momentos, é o preço que TODOS pagamos por ter um estádio novo e moderno. Porém, juntos PALMEIRAS e TORCIDA, podem super esses obstáculos. Separados e segregados, sem dúvida o trajeto é muito mais difícil.

SAUDAÇÕES ALVIVERDES.

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