A falta de consideração com a torcida palmeirense

Thiago Censi

Quando o Palmeiras firmou a parceria com a WTorre para a reforma do Palestra Itália, foi de conhecimento geral que determinadas datas de shows coincidiriam com o calendário do futebol e, consequentemente, não poderíamos mandar alguns jogos em nossa casa.

Mesmo não sendo o cenário ideal, todo o bônus que o Allianz Parque trás, para torcida e para o time, supera este ônus de, em alguns jogos, abrir mão da nostra casa. A torcida entende.

Com o sucesso do Avanti, as mensalidades foram reajustadas após alguns anos com o mesmo valor, com a justificativa de que para se formar um time forte e que disputa títulos, é necessário aumentar sua arrecadação com as mais variadas receitas. Argumento válido e, novamente, a torcida entendeu, abraçou a causa e o Avanti continua crescendo e se mantém na vice-liderança com cerca de 130 mil associados.

Atuo na área comercial há muitos anos e uma das máximas quando vai se iniciar alguma negociação é tentar chegar ao “ganha x ganha”, quando se chega neste denominador comum, pode-se dizer que uma negociação foi bem sucedida. Na atual relação Diretoria e Torcida, há, somente, o “ganha x perde”. A torcida do Palmeiras paga o ingresso mais caro do Brasil, com a alegação que o Allianz tem um alto custo de manutenção, a torcida do Palmeiras (crianças e idosos) não tem gratuidade no Allianz, ainda assim, a torcida vem respondendo. Temos a melhor média de público do Campeonato Brasileiro – mesmo com um time instável.

Chegamos a um momento crucial do Campeonato Brasileiro, no qual temos confrontos diretos com times que estão brigando na parte de cima da tabela e quartas de final da Copa do Brasil com um time que historicamente complica para o nosso lado e somado a isso, ficaremos afastados da nossa casa por tortuosos 30 dias. Hora de a torcida apoiar, incentivar, fazer festas, abraçar o time, correto?! Não para a nossa Diretoria, que praticou valores incompatíveis para o Pacaembu – ingresso mais barato por R$ 60,00, desprestigiou seu sócio-torcedor do Plano Ouro, que para ter sua gratuidade terá que assistir ao jogo no pior setor do estádio, o Tobogã. Desprestigiou, também, as torcidas organizadas que historicamente ficam nas arquibancadas amarela e verde exercendo maior pressão ao time adversário e apoio a Sociedade Esportiva Palmeiras.

Agora que passaremos 30 dias longe do Allianz e jogaremos contra Grêmio, Sport e Internacional no Pacaembu. Talvez o certo fosse então um desconto no Avanti, pois o Pacaembu, por exemplo, tem um banheiro precário – dentre outros serviços péssimos, não compatíveis com os valores que estão sendo cobrados. Seria o momento ideal de colocar o Tobogã a preços populares, dar a oportunidade para aquele torcedor que não consegue acompanhar o Palmeiras frequentemente no Allianz. Vale lembrar que a WTorre arcará com os custos dos jogos no Pacaembú.

Muitos torcedores que tem o Plano Ouro compraram a arquibancada amarela ou verde (meu caso), pois é onde sempre assistiram ao jogo e onde se sentem bem, outros (acreditem) fizeram questão de comprar amarela ou verde para não tirar a gratuidade de torcedores que não poderiam arcar com o custo do ingresso. Previsão: R$ 109 (Avanti) + R$ 66 (3 jogos) = R$ 175,00/mês.

Portanto, o ônus sempre fica para a torcida palmeirense – seja com times péssimos, seja com os ingressos mais caros do Brasil, seja com desvalorização de nossa importância. É uma via de mão única, onde somente a torcida arca com as decisões da Diretoria – que aparenta pensar apenas em lucro, lucro e mais lucro.

Senhor Paulo, lembre-se que nem toda torcida palmeirense é Nobre. Cuide do maior ATIVO de um time de futebol: sua TORCIDA.

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Autor: MP

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