Análise: A situação financeira do Palmeiras

O Mídia Palmeirense conversou com o autor do estudo “Análise Econômico-Financeira dos Clubes de Futebol Brasileiros” para saber mais da situação do Verdão

Baseado exclusivamente nos balanços oficiais e informações públicas veiculadas na imprensa, sem consultas explicativas aos times analisados, o Itaú BBA divulgou a 6ª edição do estudo “Análise Econômico-Financeira dos Clubes de Futebol Brasileiros|2016”.

O mercado de futebol, considerando os 27 maiores clubes do Brasil, faturou R$ 3,64 bilhões em 2015, crescimento de 15% em relação ao ano anterior.  As receitas com direitos de TV, que somaram R$ 1,5 bilhão no ano passado, continuam como a principal fonte de renda para os clubes, representando 42% do total de verbas que entram nos cofres das agremiações. Já as receitas com vendas de direitos econômicos de atletas foi 22% maior do que em 2014, impulsionadas pela desvalorização do Real, gerando R$ 452 milhões para os times.

“Após um ano muito difícil como 2014, quando houve queda nominal, este crescimento de 2015 merece ser celebrado, especialmente quando analisado no contexto macroeconômico de queda de 4% no PIB brasileiro no ano passado”, afirma Cesar Grafietti, Superintendente de Crédito do Itaú BBA e responsável pelo estudo.

Mas, vamos ao que importa, e o Palmeiras?

O Palmeiras apresentou o maior crescimento de Receitas em 2015, que foi de 57%. Destaque absoluto no futebol brasileiro para duas delas: Publicidade (201%) e Bilheteria/Sócio Torcedor (240%). Com este crescimento, o Verdão faturou R$ 301 milhões, ultrapassou o Corinthians (R$ 298 milhões) e se tornou o segundo clube no ranking de faturamento, atrás apenas do Flamengo (R$ 339 milhões).

Ranking das maiores receitas do futebol brasileiro. (Reprodução/Itaú BBA)
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Ranking das maiores receitas do futebol brasileiro. (Reprodução/Itaú BBA)

De acordo com Cesar, estes movimentos são reflexos da mudança de gestão do clube. A diretoria colocou a casa em ordem em termos financeiros e pode atrair um investidor publicitário que mudou o patamar de receitas do clube. Além disso, a entrada em operação do Allianz Parque ajudou a elevar o número de sócios torcedores do Avanti e adicionou público ao estádio. Tudo isso funcionou bem porque em campo a equipe apresentou bom desempenho técnico, disputando a final do Campeonato Paulista, conseguindo o tri da Copa do Brasil e mantendo o interesse do torcedor.

Para faturar tanto, o Palmeiras também gastou bastante em 2015. Foi o clube que mais investiu em atletas profissionais, com R$ 94 milhões, e categoria de base também recebeu recursos, foram R$ 14 milhões investidos no ano, o maior valor nos últimos 6 anos.

Investimento nas categorias de base nos últimos anos. (Reprodução/Itaú BBA)
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Investimento nas categorias de base nos últimos anos. (Reprodução/Itaú BBA)

Além disto, as dívidas no ano passado tiveram o comportamento esperado para um clube que tem a situação financeira em ordem. Com redução das dívidas bancárias, dentro do esperado e de acordo com o cronograma estipulado pelo Presidente, onde 10% das receitas pagam o empréstimo feito por ele. Já as dívidas operacionais cresceram em função do crescimento dos salários.

Composição da dívida palmeirense. (Reprodução/Itaú BBA)
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Composição da dívida palmeirense. (Reprodução/Itaú BBA)

O cenário hoje é positivo, mas sucesso passado não garante sucesso futuro. O clube precisará continuar organizado e manter o equilíbrio após a mudança de gestão no fim do ano, para que este bom momento se mantenha no longo prazo.

Confira os principais pontos da nossa conversa com Cesar Grafietti:

Perspectiva para 2016

“O que temos de mais positivo é que o clube fechou 2015 com um receita muito boa, impulsionada por dois itens que eram menos relevantes no passado: Publicidade e Bilheteria/Sócio Torcedor. Esse nível de receitas não tem precedentes na história do clube e é especialmente positivo pela parte do sócio torcedor. O estádio reformado e o desempenho do time fizeram com que o torcedor voltasse para o estádio, aceitasse pagar preços maiores e contribuiu com uma receita de bilheteria bastante significativa (R$ 77 milhões). Essa é uma receita muito boa, porque tende a ser mais estável ao longo do tempo. Já a receita de patrocínio chama atenção, porque o valor é substancialmente maior do que o histórico do clube e também de clubes com torcidas semelhantes. Vira um ponto de preocupação a longo prazo se esse patrocinador romper com o clube, pois tende a reduzir o volume de receitas e pode impactar no fluxo de caixa da equipe. Outro ponto positivo encontrado nos números de 2015 é a dívida que foi muito bem equacionada pelo Presidente. É uma estratégica tecnicamente equivocada (alguém colocar dinheiro no clube), mas foi bem montada. Ele colocou dinheiro e sanou o clube, montando uma estrutura para poder receber o dinheiro de volta sem prejudicar o dia a dia do clube. Isso possibilitou que o clube fizesse muitos investimentos no ano passado e neste ano as coisas estão seguindo no mesmo rumo: as bilheterias continuam elevadas, a publicidade está mantida, a receita de televisão cresceu pois já tinha previsão. O que o clube precisa fazer é continuar com bom desempenho em campo para manter essa condição estável.”

Profut

“A dívida não é grande, então não era uma necessidade, mas era uma oportunidade. Do ponto de vista técnico seria bom você alongar a dívida por 20 anos, com fluxo bem suave de pagamentos, especialmente nos próximos quatro. O Profut trás uma série de obrigações de governança e outros fatores que o clube poderia não estar preparado ou não queria se submeter neste momento, mas não chega a ser um problema não aderir dado o baixo nível de dívidas.”

Direitos de Transmissão

“O Palmeiras deve conseguir valores maiores, até pela competição. Com a concorrência (entre Esporte Interativo e Globo), a tendência é haver um equilíbrio um pouco maior, os contratos que estão sendo assinados já prevem um maior equilíbrio na distribuição. No passado, com o rompimento do Clube dos 13, Flamengo e Corinthians levaram vantagem com receitas muito maiores, agora está na hora de corrigir esta distorção. O clube agora está aproveitando que está em uma boa situação financeira, sem precisar da luvas que os demais clubes estão recebendo, para negociar de uma forma melhor.”

Sobre o Itaú BBA

O Itaú BBA é o banco de Atacado, Investimentos e a Tesouraria do grupo Itaú Unibanco, o maior conglomerado financeiro do Brasil e um dos maiores do mundo por valor de mercado. Sua carteira é composta por empresas com faturamento anual acima de US$ 100 milhões, servindo globalmente ao redor de 5.800 das maiores companhias da América Latina, bem como cerca de 200 instituições financeiras e 700 investidores institucionais. O portfólio de serviços do Itaú BBA conta com investimentos em ativos, assessorias em fusões e aquisições, oferta de ações, securitização, derivativos, operações estruturadas, cash management, financiamentos e garantias, entre outros.

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Autor: MP

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