Crônica: Cuca e o Football Manager da vida real

Você já jogou Football Manager? Se não, caso você tenha muito tempo livre ou queira adquirir um vício que destrua a sua produtividade, eu recomendo.

Carlos Massari (@carlosmidiasep)
Colunista da Mídia Palmeirense

O ritual é bastante divertido no início: analisar os atletas da sua equipe, ver quais são os pontos fortes e fracos do elenco, pensar em quais táticas planeja usar, montar o sistema de treinamentos, definir tarefas para os olheiros. Normalmente, uma temporada estará por começar e você vai fazer alguns amistosos, tendo tempo hábil para ver o que é preciso mudar antes que os campeonatos de verdade passem a ser disputados.

A partir daí, eu te garanto: você vai passar muita raiva. Jogadores perdendo gols feitos, derrotas por 1 a 0 em duelos que o número de finalizações foi 30 x 1, apatia inexplicável. Mas vai valer a pena quando você der um discurso no intervalo com “onde é que está a paixão de vocês?” e virar um placar de dois gols abaixo ou coisa similar. Se você gosta de trapacear, vai eventualmente voltar algumas partidas. É o que vai garantir seu emprego, principalmente se não souber jogar muito bem.

Quando Eduardo Baptista assumiu o Palmeiras em dezembro, começou a jogar o Football Manager da vida real de maneira equivocada. Ele desconsiderou os pontos fortes dos atletas disponíveis no elenco e tentou implementar táticas que não funcionavam com eles. Conseguiu alguns resultados devido ao talento individual e à grandeza do time que dirigia, mas logo sucumbiu à pressão.

Infelizmente para nosso ex-treinador, a vida real não dá a opção de voltar jogos. Tenho quase certeza que ele gostaria de fazer uso dela após as derrotas contra Ponte Preta e Jorge Wilstermann.

Cuca, porém, é um jogador mais experiente. E ele tem a sorte de conhecer exatamete o elenco com o qual vai trabalhar. Chegou já acertando a tática ideal para o elenco, conversando de canto com alguns atletas para melhorar a moral e sabendo da necessidade de rodar o elenco – tanto para evitar o desgaste físico, como para não deixar ninguém insatisfeito. Precisa ainda resolver alguns outros problemas que levam mais tempo.

É só com a repetição nos treinamentos que alguns problemas desaparecerão. A bola parada defensiva, antes tão forte, não está acertada. Os rivais tem levado muito perigo ao nosso gol usando desse artifício, e esse precisa ser o foco das próximas sessões de treino. Continuar dando moral para quem ainda não se adaptou bem, como no caso de Borja, também é importantíssimo.

Meu maior sucesso jogando Football Manager foi quando levei o Fjolnir, inicialmente na segunda divisão da Islândia, à Champions League. Eu era adolescente e tinha muito tempo livre, fazia eventuais trapaças e me dedicava muito a tentar entender o que era necessário para vencer naquele vide-o-game. Cuca é muito mais competente em treinar equipes de futebol do que eu. Sem poder usar o artifício de voltar os jogos, ele precisa dedicar todo o seu tempo a gerar um Palmeiras vencedor. Felizmente, ele é muito bem pago para isso. E, aos poucos, consertará todos os problemas existentes.

Em 2016, a situação encontrada por ele foi muito pior do que a atual. A moral de todos os jogadores estava no chão, e ele usou muito bem o recurso de falar com a imprensa para melhorá-la. O sistema tático estava destruído, sem praticamente nada que se aproveitasse, e ele conseguiu achar quase do zero algo que fosse eficiente. Não havia amistosos para fazer experimentos, e ele perdeu várias partidas até conseguir começar a reverter a trágica situação.

Duas vitórias nos dois primeiros jogos, mesmo com o time não jogando tudo o que pode, deixam o torcedor feliz. Todos confiam em Cuca e, como a vida real é ainda mais divertida e viciante que o Football Manager – no jogo, não existem coisas como calça vinho – ainda teremos muito o que acompanhar em 2017. Seja com vontade de quebrar a televisão, seja correndo e gritando de felicidade por aí, podemos dizer que estamos acompanhando a saga de um vencedor. Que, por sorte, não emprega seu talento no vídeo-game.

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Autor: MP

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