Crônica: Precisamos falar sobre o calendário

Um assunto que tange ao nosso alviverde, mas diz respeito de forma geral à estrutura do futebol brasileiro: o calendário da CBF de 2017

Carlos Massari (@carlosmidiasep)
Colunista da Mídia Palmeirense

Cuca fez sua estreia no retorno ao Palmeiras no dia 14 de maio. Hoje é 8 de junho. Nesse meio tempo, foram oito jogos do alviverde, sendo cinco pelo Campeonato Brasileiro, dois pela Copa do Brasil e um pela Libertadores. Não houve nenhum meio de semana com folga, nenhum tempo para recuperar jogadores ou para implementar modificações táticas. Apenas partida atrás de partida, algumas delas decisivas e que requiseram muito esforço da equipe.

Nós sabemos que Cuca costuma demorar um pouco para dar sua cara aos times que dirige. Com o Atlético Mineiro, foram cinco derrotas nos cinco primeiros jogos. Ano passado, na passagem que nos deu o título brasileiro, os quatro primeiros duelos foram perdidos. É um fato que o Palmeiras de 2017 poderia estar tendo exibições melhores, mas não há como se culpar o treinador quando não há tempo para trabalhar. E, pior, o ritmo de partidas é tão complicado que nossos melhores jogadores sofrem lesões musculares ou precisam ser poupados.

Mas a ideia desse texto não é falar sobre Cuca. Sei que esse espaço é para falar do Palmeiras, e exclusivamente dele, mas dessa vez eu vou abrir as lentes e focar em um assunto que tange ao nosso alviverde, mas diz respeito de forma geral à estrutura do futebol brasileiro: o calendário da CBF de 2017 é o pior da história.

Duas mudanças claras foram feitas para o calendário de 2017: uma, vinda da Conmebol, foi a expansão da Libertadores. O torneio continental agora terá sua final apenas em novembro, não mais em junho ou julho como em anos anteriores. A segunda foi um espaçamento maior da Copa do Brasil, tirando algumas fases do segundo semestre.

Em 2016, nessa mesma época do ano, a Libertadores já se encontrava em sua fase semi-final. A Copa do Brasil, pelo contrário, estava longe de ter seu início para as equipes oriundas da competição continental: as oitavas de final, nas quais entramos e batemos o Botafogo da Paraíba, passaram a ser disputadas apenas na segunda quinzena de agosto. Agora, não apenas já eliminamos o Internacional, como já temos datas para medir forças com o Cruzeiro.

E o que muda então, se o número de jogos é o mesmo, apenas a distribuição é diferente?“. Simples. Se o Palmeiras tivesse perdido em Curitiba ontem porque escalou o time reserva devido a ter um jogo da semi-final da Libertadores na próxima semana, alguém se importaria? Se ele tivesse essa mesma campanha, de uma vitória, um empate e três derrotas, mas o título continental já pudesse ser visto de perto, nós estaríamos fazendo festa.

Vamos colocar os pés no chão e ser sinceros: o Palmeiras não tem elenco para ser campeão das três competições que joga atualmente. Nenhum time brasileiro tem e provavelmente nunca terá. O Brasileiro é um certame dificílimo, não acredito que nem mesmo os reservas do Real Madrid o venceriam. Quando se fala em ter um elenco muito forte no futebol atual, se fala em ter atletas que são capazes de eventualmente substituírem titulares lesionados ou suspensos sem fazer com que a equipe caia de nível. Não sobre poder formar um escrete apenas de suplentes e ainda assim levantar alguma taça.

É fato conhecido e indiscutível que os times brasileiros priorizam a disputa da Libertadores da América. O que a mudança no calendário faz, porém, é impedir que um time se recupere na disputa do Brasileiro após ser eliminado dela. Supondo que, com campanha de uma vitória, um empate e três derrotas, o Palmeiras fosse defenestrado do torneio continental na semi-final, o que aconteceria? Ele teria dois meses e meio para se focar apenas no Brasileiro, com jogos só aos finais de semana, semanas cheias para treinar e recuperar jogadores, até iniciar a disputa da Copa do Brasil e passar a ter um calendário mais cheio. No formato atual, não. Uma eliminação na penúltima fase da nossa obssessão significaria poder dar total atenção ao certame nacional apenas em um momento que ele já estará perdido.

Por outro lado, como aconteceu no ano passado, se em setembro, liderando o nacional, o Palmeiras escalasse reservas na Copa do Brasil e fosse eliminado, alguém se importaria? Pois é.

Aliás, Palmeiras, Atlético Mineiro, Santos, Flamengo e Atlético Paranaense fazem campanhas péssimas no início do Campeonato Brasileiro. O Botafogo também não teve um começo exemplar. Apenas Chapecoense e Grêmio conseguem destoar. Vocês acham coincidência que quatro dos principais favoritos a vencer a competição nacional estejam capengando após cinco rodadas? Não é. Nem é culpa dos treinadores ou dos elencos. Simplesmente é muito difícil conseguir superar tamanha maratona de partidas.

2017 é o primeiro ano com o novo formato do calendário. Os times ainda não sabiam das dificuldades que seriam enfrentadas e de como ele devastaria os elencos com três competições de alto nível sendo jogadas simultaneamente. Para 2018, infelizmente, acredito que será necessário que competições sejam sacrificadas de início. Escalar juniores na Copa do Brasil, por exemplo, e liberar datas. Não é o ideal, nem de longe, mas se torna quase obrigatório.

Mas Carlos, na Europa as três competições são jogadas de forma simultânea“. Bom, o calendário europeu é alguns meses maior porque lá não existem estaduais. Isso permite um espaçamento maior dos jogos. Além disso, na Europa nós não estaríamos fazendo três jogos durante uma data FIFA, como acontece nesse exato momento. Seria uma semana e meia de treino e descanso para quem não faz parte das seleções.

Sem descanso, sem treino e atletas importantes, o Palmeiras segue tropeçando e fazendo atuações irreconhecíveis. A recuperação passa por mudança de postura interna, por escalações melhores e por questões técnicas, sim, mas ela passa principalmente pelo calendário. Entendê-lo e aprender que algumas partidas precisarão ser sacrificadas será fundamental para a melhora do rendimento.

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Autor: MP

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