Crônica: Qual a identidade do Palmeiras de 2017?

Marcação pressão, jogo vertical, ataques velozes e mortais, bola aérea ofensiva e defensiva perfeitamente encaixada. Todos sabiam como o Palmeiras jogava em 2016

Carlos Massari (@carlosmidiasep)
Colunista da Mídia Palmeirense

Ainda assim, era uma fórmula de sucesso e que nenhum adversário conseguia neutralizar. A funcionalidade das trocas de posições no meio-campo sempre encontrava alguém livre. Não é por acaso que se é campeão brasileiro: é necessário ter um estilo que seja eficiente e funcional.

Quando Cuca saiu para ficar com a sua família, a diretoria errou. Buscou um treinador que pensava o futebol de forma diferente, sem se atentar às características dos jogadores ou, até mesmo, a uma identidade de clube.

Podemos olhar para o nosso maior rival, que ontem nos impôs uma derrota vergonhosa, e ver justamente a criação dessa identidade. Desde que teve Mano Menezes como treinador, passando por Tite e Fábio Carrile, o Corinthians insiste em um jogo fechado, organizado defensivamente e que aposta em contra-ataques. Ganha de pouco, chega raramente ao terço final de ataque, mas tem defesas fortíssimas. São sete anos jogando assim, tirando alguns períodos de vacas magras, e com sucesso no período.

Eu gosto bastante do fato de o Palmeiras ter sido campeão brasileiro jogando de forma ofensiva, e não defensiva como o rival. É muito mais agradável de se ver e, convenhamos, deve causar uma queda de cabelos bem menos agressiva. Mas, infelizmente, aquele time treinado por Cuca parece perdido no passado. O alviverde não teve a preocupação em dar continuidade ao trabalho, em tentar criar uma identidade a longo prazo.

Eduardo Baptista chegou e tentou implementar um jogo de posse de bola, muito diferente do que o time fazia em 2016. Como a esmagadora maioria dos treinadores brasileiros que pensam o jogo dessa forma, ele falhou. É difícil entender porque em terras tupiniquins tal modelo costuma fracassar. Mas, normalmente, não se conclui a gol e não se cria chances, apenas se roda a esfera de modo ineficiente, enquanto os adversários fecham espaços sem grandes dificuldades.

Uma vez que o experimento falhou, corremos de volta para Cuca. Para tentar encontrar o time de 2016, a verticalidade, a rapidez dos contra-ataques, a segurança da bola aérea. Pareceu a todos nós uma ideia acertada – e ainda acho que foi. Mas, dois meses depois, o time não se encontra.

Existem muitas desculpas que podem ser dadas, desde a perda de Moisés, que era o motor daquele time, ao pouco tempo para treinar. Mas conforme o tempo vai passando, mais difícil fica ter paciência. O Palmeiras de Cuca hoje parece não saber como quer jogar. Tem poucas ideias criativas, se limita a jogar constantemente a bola na área e torcer para uma cabeçada do além balançar as redes adversárias. Não faz tabelas por dentro, não sabe se virar sem buscar as extremidades. Pior, toda a solidez defensiva desapareceu. A bola aérea não funciona mais e os zagueiros não encontram mais seus posicionamentos ideais.

O técnico Cuca segue trabalhando para escalar 'time ideal'. (Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)
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O técnico Cuca segue trabalhando para escalar ‘time ideal’. (Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)

O momento é para Cuca pensar em como ele quer esse Palmeiras jogando. Como em 2016? Diferente? Com mais posse de bola, com menos ímpeto ofensivo? Tudo bem. Não há tempo para treinar, então que se desdobre com vídeos, com palestras táticas, com o que for preciso para implementar um estilo de jogo duradouro. E que não o largue mais, que martele dentro da cabeça dos jogadores até ser totalmente assimilado. O futebol, hoje, é feito de organização. E o Corinthians, mesmo sem ser o mais bonito dos estilos, é eficiente justamente por saber o que quer e executar isso de forma afiada.

Definido? Ótimo. Se der certo e o Palmeiras ainda tiver um 2017 de sucesso, com campanhas vitoriosas na Libertadores e na Copa do Brasil, quando Cuca decidir novamente que é hora de sair, o Palmeiras precisará buscar um treinador que seja capacitado para manter exatamente o mesmo estilo de jogo. A mesma identidade. E assim, sucessivamente. Que daqui há algum tempo, da mesma forma que se sabe que o Corinthians joga com organização defensiva e contra-ataques desde 2010, se saiba como o Palmeiras joga.

Se infelizmente não der certo, o time não evoluir e acabar eliminado de todas as competições, a decisão caberá à diretoria. Como deve jogar o Palmeiras de 2018 em diante? Qual o estilo que mais combina com a nossa tradição histórica, com o que a marca desse alviverde imponente pretende passar aos torcedores, aos rivais, ao mundo? Que se busque um treinador que pense o futebol dessa maneira.

Quem é você, Palmeiras 2017? Eduardo tentou uma resposta e errou, Cuca ainda nem chegou a uma conclusão. E o tempo vai se esvaindo, como areia que escorre pelos dedos. Precisaremos saber no começo de agosto, quando jogaremos a nossa vida diante do Barcelona-EQU.

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Autor: MP

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