Crônica: Cuca, o desânimo e a esperança

Após a saída de Cuca, é hora de pensar o que queremos para o futuro do Palmeiras

Carlos Massari (@carlosmidiasep)
Colunista da Mídia Palmeirense

No dia que o Palmeiras perdeu para o Santos, eu fui ao casamento da minha prima. Por isso, não pude assistir ao jogo. Ouvi no rádio, me decepcionei tanto que nem sequer tive vontade de ver o videotape ou sequer os melhores momentos depois. Time sem alma, sem criatividade, vivendo de chuveirinhos. Em nada parecia com o que Cuca implementou em 2016. Depois do empate contra o Bahia – que poderia e deveria ter sido outro revés – não havia mais como manter a paciência.

A falta de planejamento matou o Palmeiras de 2017 e seus milhões, mas havia algo muito errado com Cuca. Agora que ele se foi – e não nos esqueçamos que ele merece todo o nosso respeito – há uma sombra de esperança de que as coisas possam melhorar. Talvez ele não tenha se dado bem com o elenco, talvez não estivesse com muita vontade de trabalhar, talvez suas ideias não tenham sido assimiladas. Nunca saberemos o que acontecia longe do que pode ser visto por torcida ou imprensa. Mas esse foi, pelo tamanho e megalomania do projeto, um dos fracassos mais doloridos que eu já senti com o alviverde.

Eu já disse antes em um texto que, para 2018, a diretoria precisa fazer um planejamento melhor. Isso parte de como ela quer que o Palmeiras jogue. Com posse de bola? Com verticalidade? Com uma defesa forte e contra-ataques? Há de se escolher. O técnico e os reforços precisam ser escolhidos com base nesse projeto de futebol a ser desenvolvido vindo de cima. Se não, podemos investir milhões novamente em atletas que simplesmente acabam não se encaixando na visão do treinador e da torcida.

Muito se fala em Mano Menezes, mas nós sabemos como os times dele jogam – solidez defensiva, pouca criação no ataque. É isso que nós, torcedores, queremos para o Palmeiras? É nessa visão que nossos atletas se encaixam melhor? Eu diria que não, mas se for a escolha da diretoria, o elenco precisa ser moldado para atuar dessa forma.

Nesse domingo, confesso que ainda estava desanimado. O Palmeiras de 2017 é esse fracasso, um time que ainda luta por uma vaga na Libertadores e espera por um milagre para voltar à luta pelo título brasileiro enquanto nós esperávamos grandes troféus. Com Alberto Valentim no comando, diante do Atlético Goianiense, voltei a ter um pouco de esperança.

Tudo bem que era só o lanterna, mas haviamos penado para ganhar desse mesmo lanterna por 1 a 0 dentro de casa no primeiro turno. Dessa vez, não: o time trabalhou bem a bola. Os três gols sairam de jogadas bens construídas e com participação decisiva de Keno. Com Cuca, era só chuveirinho. Em uma partida com Alberto vimos mais bola no chão e triangulações que em muitas das partidas anteriores.

Não sei dizer se isso vai continuar ou se o marasmo já reaparece na quinta-feira. É cedo para tentar adivinhar qualquer coisa. Mas um pouco do desânimo foi embora, sim.

O Palmeiras precisa manter Alberto Valentim até o final da temporada e então pensar detalhadamente nos passos que tomará em direção a 2018. É necessário aproveitar enquanto há abundância financeira, uma vez que tudo no futebol brasileiro é muito volátil. Mais erros não podem ser perdoados. Seja na montagem do elenco, seja na imposição de uma filosofia de jogo.

São onze pontos de distância para um Corinthians que piora a cada rodada. Por mais que pareça quase impossível, o Palmeiras tem o elenco para buscar essa virada. A lógica diz que é tarde demais para um time se encontrar na temporada, mas se Valentim fizer o certo e não inventar, quem sabe um milagre não acontece?

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Autor: MP

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