Crônica: O fim sempre traz um novo começo

Após a partida contra o Atlético-PR, a última do Palmeiras no ano, é hora de tirar as lições desse 2017 que passou e pensarmos no ano que vem

Carlos Massari (@carlosmidiasep)
Colunista da Mídia Palmeirense

E tudo se acabou. 2017 começou trazendo a semente dos mais altos sonhos para a torcida palmeirense. Um time campeão que recebia reforços de altíssimo nível só poderia desfilar um futebol encantador pelos campos do planeta. Nossos olhos brilhavam ao pensar em como poderia ser ano. Imagine se você pudesse contar à sua versão de janeiro que tudo terminaria com uma melancólica derrota por 3 a 0 para o Atlético Paranaense? Com um vice-campeonato brasileiro que só veio porque os rivais também foram incompetentes?

Nós queríamos ver todas as peças se encaixando, mas elas simplesmente não combinavam. Nós queríamos ver a bola sendo bem tratada, mas ninguém queria tratá-la direito. Nós queríamos ver as redes adversárias balançando, mas costumeiramente vimos as nossas nos momentos decisivos. Nós construímos nas nossas mentes um ideal de um super time que nunca existiu, uma visão de jogadores que é muito mais uma projeção de sonhos de torcedor do que a realidade do que eles podem fazer com a bola nos pés. Nós nos enganamos e fomos enganados.

O Palmeiras campeão brasileiro de 2016 ficou no passado. Deu um lugar a uma versão que tomou três gols no primeiro tempo em dois dos mata-matas que disputou e precisou que Egídio batesse o pênalti decisivo no outro. Talvez tenha sido um Palmeiras que tenha sentido a cobrança excessiva por ser o maior elenco do país. Talvez tenha sido um Palmeiras que não soube lidar com todos os holofotes. Talvez tenha sido um Palmeiras que só era tão bom nas nossas cabeças.

Esse três a zero na Arena da Baixada sepulta esse time. Como 2016 é memorável de forma positiva, 2017 é aquele ano que precisamos esquecer. Temos dinheiro, temos peças, temos um esqueleto. Mas mesmo muitos atletas precisam deixar tudo o que aconteceu para trás. Que Alejandro Guerra e Miguel Borja pensem que estão chegando agora, campeões da Libertadores, prontos para destruírem em terras brasileiras. Que Felipe Melo não se lembre das ameaças baratas e se concentre só na bola. Que Moisés lembre de como é atuar como um segundo volante implacável num time campeão.

Nós, palmeirenses, não estamos acostumados ainda ao favoritismo. Passamos quase duas décadas sofrendo com jogadores horríveis e, quando lutávamos por algum título, era mais por ter alguém tirando leite de pedra do que efetivamente por termos um elenco capaz. Quando somos campeões brasileiros e trazemos os dois melhores jogadores da Libertadores e outros que vestiram a camisa da seleção brasileira em Copas do Mundo, nossa ilusão tende a ir ao teto. Ainda pensamos que futebol se resolve na camisa e no papel.

Não se resolve. E aí vem Diogo Barbosa resolver o problema da lateral-esquerda, Lucas Lima comandar o meio-campo e provavelmente mais nomes de peso. E nós vamos nos empolgar. E ter sonhos e expectativas altíssimas para 2018, esperar que as peças da engrenagem se encaixem, que a bola seja bem tratada, que as redes adversárias balancem. Construiremos nas nossas mentes um ideal de um super time.

Que isso não seja um ciclo. 2018 não pode acabar com uma derrota melancólica e um vice-campeonato incompetente. O Palmeiras é formado por nós, torcedores, que cantamos e vibramos, que sonhamos e sofremos, e não por quem veste a camisa dentro de campo, sejam bagres ou craques. Nosso trabalho é empurrar, é incentivar, é apoiar, mas também é cobrar e apontar tudo que acontece de errado. Estaremos mais uma vez espalhados pelo Brasil e pelo mundo traçando na mente os nossos ideais alviverdes.

A última pá de cal no 2017 do Palmeiras foi jogada. Que permaneça enterrado, e que em 2018 floresça sobre esse túmulo um time realmente vitorioso.

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Autor: MP

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