Crônica: O futebol é um esporte de mentiras

Dois placares idênticos em situações iguais, mas realidades bem diferentes: o que o palmeirense que viu na estreia em casa da Libertadores em 2016 e em 2018

Carlos Massari (@carlosmidiasep)
Colunista da Mídia Palmeirense

Dois anos atrás, o Palmeiras estreava em casa na Copa Libertadores da América com uma vitória por 2 a 0. Só que esse placar não passava de uma grande mentira: dominado o jogo todo, o alviverde viu o Rosario Central, da Argentina, criar inúmeras oportunidades de gol e desperdiçá-las, enquanto chegou às redes adversárias em duas ocasiões fortuitas. Comemoramos o resultado, odiamos o que vimos em campo. Sabíamos que não havia nenhuma chance de vencer aquela competição.

Ontem, mais uma vez fomos testemunhas de uma estreia em casa de Libertadores com um 2 a 0 mentiroso. Felizmente, de maneira oposta. O Palmeiras trucidou o Alianza Lima naquela que talvez tenha sido sua melhor exibição de 2018. Chegou com perigo infinitas vezes, pouco deu chances para os peruanos avançarem, mostrou um futebol exuberante do início até o momento que cansou e tirou o pé do acelerador na metade do segundo tempo. Se o placar indica uma partida não tão fácil, ele não diz a verdade. O que aconteceu no Allianz Parque foi um massacre impedido de vir à tona por não ter havido uma precisão na pontaria dos alviverdes.

O palmeirense está satisfeito com o que vê em campo nos últimos jogos mesmo com placares magros. Diante do Corinthians, a inteligência tática de matar o jogo de contra-ataque do arquirrival após fazer 1 a 0 logo no começo, a postura perfeita para cozinhar o embate e trazer a vantagem para casa. Diante do Alianza, a enorme fome de ofensividade, o volume de jogo absurdo, as triangulações, as tabelas que funcionaram e envolveram com facilidade o time peruano.

Palmeiras venceu o Alianza Lima e lidera Grupo 8 da Conmebol Libertadores com seis pontos. (Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)
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Palmeiras venceu o Alianza Lima e lidera Grupo 8 da Conmebol Libertadores com seis pontos. (Cesar Greco/Ag Palmeiras/Divulgação)

Ainda assim, só três gols marcados nesses dois jogos geram um orgulho e uma felicidade que não víamos no palmeirense há muito tempo. Como se falássemos mais uma vez dos nossos grandes times do passado. Nossa confiança está no teto. Ao contrário de após um 2 a 0 de 2016, conseguimos imaginar as taças sendo levantadas com vitórias pelo mesmo placar. Tudo isso porque o futebol mente.

Mente como mentiu em 2017, ao restaurar nossas esperanças com a contratação de Cuca e em seguida esmagá-las novamente ao percebermos que o treinador não era o mesmo. Mente como mentiu ao nos dar temporariamente um Borja caneludo e incapaz de encontrar as redes até que o matador colombiano voltasse à sua grande forma nesse começo de 2018. Mente como mentiu ao imaginarmos que Felipe Melo não atuaria mais com a nossa camisa e hoje o camisa 30 destila classe em cada passe e lançamento no nosso meio de campo.

É um fenômeno interessante relacionado à nossa paixão pelos esportes que justamente nos atraimos tanto por eles por mentirem. Não é comum que tenhamos essa característica com pessoas, situações cotidianas ou mapas. Mas o esporte precisa enganar. Se todo 2 a 0 fosse exatamente o que o placar disse, nem precisaríamos assistir à partida. Seria só olhar esses singelos números após o apito final e teríamos um panorama completo dos acontecimentos.

Mas não: em 2016, 2 a 0, time dominado e acuado, desesperança e desespero. Em 2018, 2 a 0, exibição de gala, confiança e euforia. O Palmeiras está hoje em um novo patamar. Os títulos são muito possíveis. E que o primeiro venha logo no domingo, esmagando os rivais da zona leste dentro da nossa casa!

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Autor: MP

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